Anatel toma medidas para evitar ataques no Telegram

Numa reação às investigações da Polícia Federal sobre a invasão de celulares de autoridades, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que as operadoras de telefonia corrigissem uma brecha na rede que permitiu aos supostos hackers terem acesso à caixa postal de seus alvos.

Desde esta segunda-feira, 29, já não é mais possível ligar para o seu próprio número de telefone. Era assim que os hackers acessavam a caixa postal dos usuários – obtendo o código de ativação do serviço Telegram Web, enviado por mensagem de áudio. Essa possibilidade, agora bloqueada, não era considerada uma falha, mas um padrão de rede, também utilizado em outros países, informa o MSN.

Nos próximos dias, as empresas de telefonia também deverão reforçar ações para incentivar os usuários a adotarem senha para acesso da caixa postal. A campanha terá caráter educativo e será coordenada pela Anatel. Novas medidas poderão ser adotadas, já que os técnicos da Anatel e da Polícia Federal devem realizar reuniões para discutir o assunto.

Até agora, quatro pessoas foram presas, suspeitas de envolvimento na invasão do celular de autoridades dos Três Poderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Modus Operandi. Para invadir o celular das autoridades e obter o histórico de mensagens trocadas, os hackers associavam as características da caixa postal a fragilidades do aplicativo Telegram.

Diferentemente do WhatsApp, o Telegram permite que o usuário inicie múltiplas sessões, com dois ou mais dispositivos logados de forma simultânea – é possível, por exemplo, manter o aplicativo mais de um computador ao mesmo tempo. Além disso, o usuário do Telegram pode solicitar o envio da senha do aplicativo por mensagem de voz para ativar o serviço web. Por fim, por meio de um aplicativo malicioso, o hacker conseguia “espelhar” o celular de outra pessoa usando serviços de voz por IP (VoIP).

A Anatel não tem poder sobre aplicativos de mensagem, mas a agência pode tomar medidas em relação às teles – como o bloqueio de ligações para o próprio número de celular.

Esta foi a primeira ação adotada após a PF enviar um ofício à Anatel, na semana passada, informando o modus operandi do grupo responsável pelos ataques virtuais.

Outra ação que está sob o guarda-chuva do órgão regulador é a organização de campanhas de conscientização. Boa parte dos usuários não altera a senha padrão de acesso à caixa postal, enviada pelas operadoras, o que facilita a ação dos hackers. Essa será uma das mensagens da campanha, que ainda está sendo desenhada pela Anatel e pelas empresas.

Telegram. O Telegram ganhou muitos usuários brasileiros após várias decisões judiciais que bloquearam o WhatsApp, em 2016. Golpes que utilizam o acesso por meio dos aplicativos têm sido comuns em todo o mundo.

Procurada, a Anatel informou que está colaborando com a Polícia Federal e empregando todos os instrumentos e equipes técnicas disponíveis. “Para garantir o necessário sigilo à operação, não serão divulgadas mais informações no presente momento”, disse o órgão regulador.

30/07/2019

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